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Turismo de Mira

A Arte Xávega: O que é?

O termo xávega tem a sua origem no árabe “xábaka”, que significa rede. A prática da pesca de pequena dimensão “Cerco e Alar para Terra”, conhecida como “Arte Xávega” é uma prática ancestral e tradicional entre os pescadores portugueses, presente ainda hoje nas terras de Mira. Esta pesca artesanal é feita com rede de cerco e teve origem no século XV, sendo muito importante economicamente para as comunidades piscatórias ao longo de toda a costa litoral portuguesa. Mira era e mantém a sua natureza tipicamente piscatória, onde os seus habitantes outrora subsistiam essencialmente da agricultura e das pescas.

O equipamento utilizado para esta pesca tradicional é composto por um longo cabo com flutuadores e em metade do seu comprimento um saco de rede em forma cónica, denominado xalavar. Antigamente a recolha das redes de pesca era feita com a ajuda de juntas de bois e força braçal, sendo que atualmente é feita por tração mecânica de tratores. O xalavar é colocado no mar, longe da costa por uma embarcação, que vai desenrolando a metade do cabo, ficando uma das pontas do mesmo amarrado a um trator. Os pescadores efetuam o cerco aos cardumes de peixe em alto mar e regressam à praia soltando a outra metade do cabo, para que a sua extremidade seja enrolada num segundo trator.

É possivelmente a única modalidade de pesca onde o peixe ainda chega vivo nas redes enquanto os fregueses se juntam no areal para conseguir comprar peixe verdadeiramente fresco e de grande qualidade. Daí surgem os famosos leilões de peixe fresco na praia acabado de chegar do mar.

Tradicionalmente, os pescadores eram sempre do sexo masculino, enquanto as mulheres ficavam no areal à espera que o barco retornasse. Geralmente estas mulheres pertenciam à família do pescador, homem descalço de camisa em xadrez e calças arregaçadas, que lutava contra as intempéries do tempo para sobreviver da sua Terra da Gândara. Os pescadores viviam em palheiros de madeira construídos na praia e nas dunas ou até sobre os seus barcos, ao longo de muitos anos.

As embarcações de madeira, de forma côncava, tinham “o comprimento entre duas ondas, e a quilha está estudada para passar diretamente da areia para a água”. Registos do início do século XX indicam que os barcos levavam entre 30 a 40 homens que se posicionavam nos seus quatro grandes remos. As redes mediam entre 200 e 300 metros e eram puxadas pelos próprios homens através de cintos de cabedal que transportavam aos ombros.

Ao introduzir a utilização de animais, com juntas de bois, as redes aumentaram de tamanho consideravelmente chegando a atingir aproximadamente entre 600 e 800 metros de comprimento. Estas “redes de cercar” são constituídas por dois enormes panos de rede de malha larga a que chamam de “mangas” e ainda por um saco de rede de malha mais apertada e de fio bem mais grosso. Os barcos em forma de meia-lua que antes mediam cerca de 15 metros, passaram a ter apenas dois remos utilizados somente para entrar e sair no mar, bem como passaram a medir cerca de 12 metros de comprimento, onde a sua forma levantada na proa e na popa serve exatamente para o ajudar a manter-se ao de cima logo que entra na água.

Que tradição mais bela! Venha daí conhecer a arte Xávega.

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