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Município de Mira

12 465 Habitantes

124,03 km² de Área

4 Freguesias

Fundada em 1442

De negro com um ramo de espigas de milho folhadas e atadas em ponta, tudo de ouro. Bordadura cosida de verde carregada de oito conchas de ouro, realçadas de negro. Coroa mural de prata de quatro tôrres. Listel branco com letras de negro. Bandeira amarela. Cordões e borlas de ouro e de negro. Lança e haste douradas.

História

Nas atuais terras de Mira, existem indícios que indicam que a ocupação humana ocorreu há centenas de milhares de anos, em épocas possivelmente integradas no Paleolítico Antigo. Mais ainda, existem vestígios da época romana, onde se encontraram diversos materiais de construção, tal como a “tegulae” (telha) e a cerâmica doméstica.

Durante o período Muçulmano, toda a região terá sido palco de guerras entre cristãos e árabes,  até que Coimbra foi conquistada no século XI, com a afirmação definitiva de poder dos cristãos. Acredita-se que durante estas “lutas” que foram dando lugar a novas localidades, surgiu Mira, nas linhas de fronteiras e linhas de separação de territórios.

A partir dessa altura já se conhece melhor a História das terras de Mira. Terras que em tempos pertenciam ao reino de Leão e Castela até ao Mondego, foram doadas pelo rei Afonso VI à sua filha mais velha, Dª Urraca e a seu marido, Conde D. Raimundo. Em 1905, Mira viria a ser documentada, na confirmação da sua posse a Soleima Godinho que fora distinguido com a doação de vários bens, entre eles a “villa de Mira”.

Em 1132, Soleima Godinho acabaria por legar metade das suas herdades em Montemor e da Igreja de São Tomé de Mira, ao recém fundado Mosteiro de Santa Cruz, da Cidade de Coimbra. Esta instituição levou a cabo um intenso desenvolvimento das terras de Mira, procurando fixar os homens e retirar o rendimento possível da terra, conforme se pode aferir num contrato com os povoadores da Ermida de Santa Maria de Mira, em 1183. Surgiram então os lugares pelos arredores, Ermida, Corujeira, Portomar e nasceram lugares de culto (a ermida de Santa Maria de Mira a par da igreja de São Tomé).

Após a grande recessão do século XIV, que também terá atingido terras de Mira, chegando mesmo a desaparecer alguns lugares até aí conhecidos, foi a realeza, na dinastia de Avis, que lhe trouxe novo e grande impulso de desenvolvimento. D. João I beneficiou seu filho, Pedro, tornando-o duque de Coimbra, senhor de Montemor, da vila de Aveiro e das terras de Mira. Terá sido D. Pedro, o senhor de Mira, quem mais se interessou pelo lugar, e, em 12 de Outubro de 1442 concede carta de privilégios aos moradores de Mira (carta esta que foi confirmada pelo seu sobrinho, rei Afonso V, a 22 de Julho de 1447).

Em 12 de Julho de 1448, D. Afonso V doa oficialmente as vilas de Mira e Aveiro, ao Infante D. Pedro, seus filhos e netos, e simultaneamente desanexa Mira do termo de Coimbra, elevando-a a concelho e concedendo-lhe autonomia administrativa.

Em 1497, a 3 de março, o rei D.Manuel I doa os direitos reais de Mira a Gonçalo Tavares, e em 27 de agosto de 1514 assina o foral concedido a estas terras, como instrumento de governação local, garantindo a representatividade do povoado e seus habitantes, relativamente a obrigações e encargos, limitando o poder dos senhores em favor dos povos.

O senhorio de Mira manteve-se na família dos Tavares até que, no reinado de D. João IV, por doação desse rei a sua esposa D. Luisa de Gusmão, passou a integrar o património da Casa das Rainhas. Foi D. Luisa de Gusmão, que em 2 de abril de 1644, ordenou ao corregedor, da Comarca de Coimbra, a tomada de posse da vila e seu termo, e aí se manteve até 1833 (aquando da extinção do regime senhorial, do reconhecimento da garantia plena da propriedade privada e no controlo exclusivo pela lei e pelos tribunais).

Todo o século XIX foi rico em reformas administrativas. Mira, tradicionalmente ligada à cidade do Mondego, pertenceu administrativamente ao distrito de Aveiro. A freguesia da Mamarosa esteve integrada no concelho de Mira, havendo um documento de 30 de junho de 1837 que referia que o concelho de Mira tinha duas freguesias, Mira e Mamarosa (esta freguesia pertenceu a Mira até 31 de dezembro de 1853, tal como a freguesia de Covão do Lobo pertenceu ao concelho de Mira de 1853 a 1855).

Em 1839, o concelho estava integrado na Comarca de Aveiro e em 1852 na de Anadia. No ano de 1853, o decreto de 31 de dezembro reintegrou o concelho de Mira no Distrito de Coimbra.

Contactos

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